No restaurante do Four Seasons de Milão você pode experimentar a comida do norte da Itália.

Na Emilia-Romagna, na Lombardia e no Piemonte, na Itália, o repórter de culinária John Mariani examina a perfeição gastronômica de cada região.

Segundo um antigo ditado, a Itália é uma tigela de sopa rodeada de várias colheres – isso significa que vários povos, desde os antigos gregos até os árabes, passando pelos visigodos, espanhóis, franceses e austríacos, invadiram ou estabeleceram-se na Itália por causa da riqueza de alimentos da península. De fato, os gregos chamavam a Itália de “Enotria”, a terra das uvas, porque cada região parecia transbordar de vinhos.

A fartura da Itália continua magnífica como sempre, e tudo que um visitante precisa é ir de um lugar ao outro, de cidade em cidade, de vinhedo em vinhedo, para descobrir como a abundância da Itália.

Concentre-se no norte, em regiões como Emilia-Romagna, Lombardia e Piemonte, e a sua aventura gastronômica será incrível.

Emilia-Romagna

Há um bom motivo para a capital da Emilia-Romagna, Bologna, ser conhecida como La Grassa— a gorda. Não é só porque os bolonheses adoram comer com fartura, ancorados em sua famosa lasanha bolonhesa, mas também devido à variedade impressionante de linguiças e salames produzidos na região – os embutidos mais famosos são a mortadela pontilhada de gordura e o glorioso presunto curado, chamado prosciutto di Parma, preparado há mais de dois mil anos nos arredores da cidade de mesmo nome, com porcos de criação especial, alimentados com grãos e soro de leite. O presunto é regulamentado com rigor e exige apenas sal marinho para ser curado – sem adição de nenhum tipo de nitrato, fumaça ou água. Mais de 8 milhões de presuntos, curados durante o mínimo de 300 dias, são produzidos anualmente.

Todo ano, em setembro, os visitantes podem participar do Festival del Prosciutto di Parma, e assistir a uma dúzia de prosciuttifici preparar o pernil de porco de acordo com a tradição antiga. Os frequentadores do festival também podem visitar o Museu do Salame e do Presunto de Parma, localizado no antigo Foro Boario de Langhirano.

A Emilia-Romagna é igualmente famosa pelo queijo Parmigiano-Reggiano, duro e bem envelhecido, cujas glórias foram exaltadas por Boccaccio. Sua textura cristalina e envelhecimento mínimo de 24 meses proporcionam uma complexidade que tornam sua degustação sozinho, com uma taça de vinho, muito melhor do que apenas ralá-lo sobre massas e vegetais.

Igualmente famoso é o vinagre balsâmico que, no passado, já foi excepcionalmente raro e conhecido apenas na cidade de Modena. Antigamente, era um elixir bastante envelhecido que as famílias trocavam como presente de Natal em frascos minúsculos. Hoje, o vinagre balsâmico é regulado de acordo com a acidez, apesar de existirem muitos envasamentos comerciais inferiores. O mais refinado – junto com o melhor Parmigiano-Reggiano, a melhor mortadela e o melhor prosciutto di Parma – pode ser encontrado em Bologna, na Salsamentaria Tamburini, na via Caprarie, uma empresa familiar desde 1932. Aliás, o Sindicato de Produtores de Linguiça medieval foi fundado nesta rua, em 1376.

Lombardia

Milão, capital da Lombardia, é onde você encontrará os bombons, doces e bolos mais finos da Itália – o macio torrone; o panetone com sabor de baunilha em forma de domo e a mistura irresistível de chocolate e avelãs chamada gianduia, usada em doces, caldas e sorvetes.

A região da Lombardia também deu ao mundo o glorioso queijo envelhecido gorgonzola, da cidade de mesmo nome. Feito, a exemplo do Roquefort da França, com uma injeção de penicilina, o gorgonzola pode ser muito pungente ou suave (dolce) para acompanhar um dos vinhos frisantes espumantes da Lombardia.

Em Milão, uma das grandes paradas turísticas é Peck, um enorme mercado que vende vinhos e carnes, cujos pisos de salões de iluminação forte oferecem inúmeras opções dos produtos alimentícios da Lombardia. Dá para passar uma tarde inteira ali se encantando, mas não só: é possível fazer refeições em um dos vários restaurantes e lanchonetes nas premissas do Peck.

Piemonte

Piemonte, que não tem litoral, revela-se nos queijos e produtos agrícolas interioranos. O queijo pecorino ácido é fantástico, a linguiça de javali (salsiccia di cinghiale), única e o vinho de sobremesa Asti Spumante faz tudo ficar ainda melhor. Mas um ingrediente, o tartufo bianco, faz a glória das florestas do Piemonte. Trata-se da trufa branca, encontrada com a ajuda de cães de caça treinados. O fungo, que cresce sob carvalhos, nogueiras e outras árvores, é tão raro que chega a custar mais de US$ 1.000 o quilo, e só está disponível do final do outono, que começa em setembro no Hemisfério Norte, a janeiro.

Apesar de as trufas estarem disponíveis para compra no mundo todo, as melhores e mais frescas são encontradas na charmosa cidade de Alba, cercada por vinhedos que produzem os grandes vinhos Barolo e Barbaresco de Piemonte. Todo sábado, no outono, há uma feira de trufas ao longo da via Maestra ou via Vittorio Emmanuele, aberta ao público. Em Turim, não deixe de visitar o gigantesco mercado Porta Palazzo, mas chegue de manhã cedo, porque fecha na hora do almoço. Depois disso, a melhor opção é o centenário Ottino, na via Lagrange, onde o aroma das trufas já pode deixá-lo intoxicado só de entrar no restaurante.  

Four Seasons Hotel Milano

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